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Rabo de Cavalo

Blog de uma menina-mulher que ás vezes usa rabo de cavalo

02
Nov14

Odisseia de uma unha partida

Devem achar o título deste post muito estranho, mas provavelmente foi o melhor que eu consegui arranjar. Se lerem com atenção, vão perceber porquê. 

Se alguma de vocês é uma roedora compulsiva de unhas, o meu bem haja, por eu sou! 

Quase parece uma cena dos doze passos: 

 - Olá, eu chamo-me Sofia e sou uma roedora compulsiva de unhas há quase trinta anos.

Há quatro meses que não roo numa unha. 

 

Vamos ao que interessa, vocês conhecem a Lei Murphy? Não? A Lei de Murphy diz que se qualquer coisa pode correr mal, vai correr mal. E corre muito mal, da pior  maneira no pior sitio. E foi isto que me aconteceu.

Era um dia especial para mim, eu ia voltar a vestir aquele vestido que não me servia há mais de dois anos, só já isso fazia parecer que tinha ganho o euromilhões (claro que não eram os 190 milhões, mas quase), era um sábado, eu e o N decidimos ir jantar ao restaurante que mais gosto em Lisboa, NoSolo Itália, em Belém.

De manhã fiz o que habitualmente faço ao sábado, limpei a casa, mas enquanto usava os trinta e oito produtos de limpeza habituais, parti uma unha!! Ficou rachada de um lado e intacta do outro.

 

F!@#$%-se!!

unha partida.jpg

 

 

Olhei para a minha unha defeituosa e pensei: "Logo hoje!!", uma lágrima quase apareceu no meu olhou, mas como eu sou forte, continuei a limpar a casa, agora com uma luva.

Eu tinha uma solução, EU IA ARRANJAR AQUELA UNHA!! 

Não podia cortá-la, não queria ficar com uma unha mais curta que as outras, e tinha que estar tudo perfeito para usar aquele vestido. Determinada para que tudo corresse bem, resolvi não contar nada ao N.

Já estava a ver a resposta dele para um "problema" destes.

- A sério? Tu estás a chorar por uma unha partida? Sabes que ontem o Benfica perdeu? Isso sim é uma coisa grave!

Perceberam? Por isso é que eu não lhe disse nada...

Continuando, depois do almoço fomos fazer as nossas compras, como eu não podia ir de luva, pus um penso rápido no dedo "magoado". O N perguntou-me o que eu tinha no dedo, eu disse-lhe que me tinha cortado a fazer o almoço e ele acreditou, ufa. 

De volta a casa, comecei arranjar-me, estiquei o cabelo, um bocadinho de perolas bonzeadoras nas maçãs do rosto, rimel nos olhos, gloss nos lábios.

Vesti os collants com cuidado, vesti o vestido, calcei os sapatos altos. E voilá!

Olhei-me ao espelho e estava bonita, mas melhor que isso sentia-me realmente bonita, mas a única coisa que estragava tudo era aquele penso no dedo.

E se eu pintar as unhas novamente? Pareceu-me bem esta solução, mas em vez uma camada de verniz, pus três, assim tinha a cereza que a unha aguentava até ao final da noite, e no domingo logo se via. 

Até ao restaurante correu tudo bem, mas a partir do momento em que me sentei na mesa, foi uma desgraça. As três camadas de verniz não tinha sido suficientes...

 

1º - Cocei a perna... resultado? Uma malha caída nas collants.

2º - Tirei o cabelo da frente dos olhos... resultado? Arranhei a cara.

3º - Puxei o vestido para baixo... resultado? A unha prendeu-se no vestido, puxou uma linha enorme.

 

Entretanto, como se não bastasse tudo aquilo, queimei a lingua com a pizza, começou a chover (e eu não tinha trazido casaco), o meu cabelo com a humidade ficou todo frisado. O melhor de tudo é que o N não deu por nada... até eu começar a ficar bastante enervada e o arranhão na cara começar aparecer. 

- O que é que tens na cara? É um arranhão?

- Sim...

- Como fizeste isso?

- Com esta unha partida! (estendi-lhe o dedo em frente dos olhos) Mas não foi só isto que aconteceu, olha... olha... (mostrei-lhe o resto das mazelas provocadas pela estúpida da unha)

- Porque não roeste essa merda? Tinhas o problema resolvido.

*morri*

Aquilo que ele me disse era grave, não se diz isso a uma pessoa que está em recuperação, se eu tivesse roido aquela unha, não conseguia parar, e em vez de dedos, voltaria a ter outra vez uns "cotos". 

O N, com o guardanapo fez-me um pequenino laço, que colocou à volta da fatidica unha. 

laço.jpg

 

 

 

Quando chegámos a casa, limei logo aquela unha que tanto prejuizo me tinha dado. 

 

E viveram felizes para sempre.

 

Quero agradecer ao Murphy, porque a sua lei é uma grande bosta.

Nesta situação: tudo o que podia correr mal, correu ainda pior. Obrigado, Murphy, do fundo do meu coração por teres arruinado o meu vestido!!! 

 

 

 

 

 

 

 

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